[Trecho de entrevista concedido a Sumaya Klaime Risso/Cascavel/PR, Claudinei Binder/Irineópolis/SC e Bandeira/São Sebastião do Caí/RS ao ensejo da realização da XVII CEE, em Pinhais, de 13 a 15.3.2015]

Quem é Alberto Almeida?
Um ser desconhecido, que está se desvelando para si mesmo, dia após dia e se encanta com alguns recantos da sua própria alma e que, às vezes, fica aturdido com aspectos que geram desconforto. Efetivamente, a Doutrina Espírita tem sido a minha bússola, a minha carta náutica que me tem feito navegar com menos incidentes dentro de mim mesmo, na direção de um porto que possa me assegurar um estado espiritual melhor. E, nessa navegação, a estrela polar que me orienta, nas minhas movimentações cotidianas, é a figura de Jesus, mediada por Kardec.

Sou paraense, estou paraense, brasileiro. Falo bem alto isso porque espero que na próxima encadernação, eu possa de novo vir brasileiro. Diferentemente das pessoas que falam mal do nosso país, em favor de outros, penso que o Brasil é uma terra abençoada. Se merecer reencarnar no Brasil, que beleza, e ficando na Terra, não é?  Mas, se não merecer, quero levar um pouco do Brasil para onde eu for, o Brasil que me mediou o acesso ao Espiritismo, que é a maior bênção na minha vida.

alberto almeida

O trabalho na Conferência Estadual Espírita é O céu e o inferno e a Justiça Divina na visão da Doutrina Espírita. O ser humano, estudando esta obra [O céu e o inferno, de Allan Kardec], conseguiria sair de seu inferno consciencial?
Ele tem os recursos abundantes para poder fazer uma releitura da sua consciência, onde ele está e o que precisa fazer. Essa obra nos dá oportunidade de reitinerar o nosso caminho, a partir do esquadrinhamento com que Kardec expõe filosoficamente.

Também, o seu trabalho de ciência, documentando as comunicações [dos Espíritos], na segunda parte do livro, mostrando, de forma cabal, qual o caminho que seguimos, aonde vamos chegar e o que acontecerá conosco. Kardec fez o que fazemos, numa certa medida, todos os dias, figurativamente falando, na Casa Espírita.

Estudamos a Doutrina e vamos para a reunião mediúnica, onde temos a prova. É a Filosofia e a Ciência. Estudamos sobre homicídio e recebemos, na reunião mediúnica, o homicida. Falamos sobre drogas e vamos para a reunião mediúnica, que recebe os que pereceram de overdose e estão sofrendo as consequências. Kardec nos traz, nessa obra, um conteúdo formoso de Filosofia, de Ciência e de uma nova ética, que nos pode erradicar danos conscienciais e, em tempo, podemos redirecionar nossos passos, nesta encarnação.

Jesus falhou [em Seu propósito]? Apesar de muitos acharem que o mundo está um caos, o senhor acredita numa melhora?
Estudar o psiquismo de Jesus é uma arrogância. Emmanuel diz que é muito difícil fazer um estudo psicológico de Jesus. E ele é um Espírito que tem uma envergadura espiritual com condições de fazer alguma leitura acerca da movimentação do Cristo. Estudando a literatura espírita, sabemos que Jesus foi o Espírito perfeito [vindo a este planeta]. 

Não acredito que esta casa esteja em desordem porque Jesus tenha falhado ou esteja falhando. A mudança que se faz, às vezes, sugere um movimento de perfeição que não conseguimos entrever de pronto. Esse apressamento de colocarmos as coisas em ordem, estabelecendo sob o nosso prisma, não sob o prisma Divino, de que elas deveriam acontecer de determinado jeito, revela bem a nossa ignorância, a nossa pequenez.

Lembro de que se conta que quando Sócrates foi chamado pelo alcaide, pelo prefeito de Atenas para fazer a estátua da deusa de Atenas, se emocionou e começou a chorar. Quando ele traz a estátua, é o Prefeito quem chora. Sócrates entreviu a deusa dentro do mármore. O mármore era bruto, mas ele conseguiu ver a perfeição. Então, Jesus veio à Terra e nos vê a todos como seres que estamos no caminho evolutivo. O sábio olha para o ovo e consegue ver a ave, olha para a semente e consegue ver o pomar. Esse olhar, entretanto, precisa de alcance, de beleza, de abrangência. Jesus tem tudo isso. Ele não cabe na nossa cabeça. Então, todas as análises que façamos incorrem em imprecisões, quando não esdrúxulas e na contramão.

Está tudo certo, conforme o Espiritismo nos diz, considerando as nossas escolhas. E a casa está bem cuidada. O Cuidador da casa é o Governador do nosso Planeta.

Uma mensagem especial
Quando o mundo se mostra tão conturbado, sejamos aqueles capazes de gerar serenidade. Quando identificamos tanta corrupção, sejamos aqueles a documentar a nossa honestidade onde nos encontramos. Quando esse mundo se mostra tão pessimista, sejamos os que assumamos o otimismo calcado na certeza de que tudo passa e só o bem fica.

Nesses dias, por fim, onde há tanta desesperança, tanto desamor, sejamos aqueles que acordemos a amorosidade que jaz em nós, para que a nossa vida seja melhor. Que possamos experimentar viver a paz, num mundo de violência. Se conseguirmos viver a paz, teremos a certeza de que, ao menos num lugar no mundo, haverá paz.