ECOS DA XVIII CONFERÊNCIA ESTADUAL ESPÍRITA

suely caldas shubertVocê esteve realizando a Conferência pelo litoral e na região metropolitana, desde o dia 27 (de fevereiro). Poderia sintetizar o que levou a essas localidades (Campo Largo, Curitiba, Matinhos, São José dos Pinhais)?

Tenho falado sobre a consciência da Imortalidade. Lembrado que somos Espíritos imortais, porque hoje vivemos uma era que prioriza o corpo físico. O corpo físico é, muitas vezes, o objetivo da pessoa, de aprimorar, embelezar, aperfeiçoar enquanto a contraparte, a principal, que é o Espírito imortal, é deixado de lado. Muitos nem lhe dão importância e necessitamos falar a respeito da Imortalidade, porque isso confere uma visão diferente de vida.

Outro aspecto que tenho abordado é a expansão da consciência. Com a Doutrina Espírita, que propicia às criaturas uma mudança estrutural de mentalidade, vamos ampliando a nossa capacidade de entender o sentido da vida e então fazer com que esse sentido seja voltado também para as questões espirituais. De um modo geral, o homem atende muito a parte física, ao conforto, recursos. Depois disso tudo atendido, vem o vazio existencial porque não deu importância a si mesmo como ser humano, como ser espiritual, como ser imortal.

Você acredita que depois de dois mil anos de Cristianismo, as pessoas estão entendendo que são Espíritos imortais?
Penso que seja ainda uma minoria, porque parece não haver uma maior preocupação com essa questão.

Nesse sentido, vejo que o Espiritismo tem muito a oferecer. Quando acontece uma catástrofe, com mortes coletivas, as pessoas indagam o porquê. E existem outras indagações como a de que se os que morrem juntos vão para o mesmo lugar.

Recordo que no livro Ação e reação, o Espírito André Luiz, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, fala de um desastre aéreo. O avião bateu numa montanha, explodiu, com quatorze pessoas a bordo. Ao se referir ao auxílio da Espiritualidade àquelas criaturas, tão violentamente desencarnadas, assinala André Luiz que o Instrutor Espiritual lhe diz que Embora o desastre seja igual para todos, a morte é diferente para cada um. Isso porque depende do estado moral, espiritual de cada pessoa.

São temas relevantes os que envolvem a Imortalidade. O Espiritismo tem um campo muito vasto a trabalhar, divulgar, no sentido de conscientizar as pessoas.

A certeza da Imortalidade confere conforto e consolo às pessoas?
Exatamente. Esclarece, conferindo-lhes conforto e consolo no sofrimento, sobretudo ante a morte de pessoas amadas. É muito ruim a pessoa sofrer, passar por vários problemas na vida, e não saber a causa. A Doutrina Espírita explica, pela Lei da Reencarnação e de Causa e Efeito.

Pode-se dizer que a Doutrina Espírita está para todo mundo mas nem todos estão para a Doutrina Espírita?
O Espiritismo é doutrina de esclarecimento, de educação. Contudo, as pessoas têm dificuldades para aceitar que precisam se melhorar, mudar, crescer espiritualmente, moralmente. Geralmente, isso ocorre porque são comodistas, têm uma vida muito rotineira, lhes sendo difícil admitir a mudança, começar a pensar de outra maneira.

Lembro de um amigo que dizia que quanto maior a mudança, maior o sofrimento. Quanto mais a pessoa tenha que melhorar, alterar ações e atitudes em sua vida, mais sente esse sofrimento, o de se impor disciplina e perseverar na mudança.

 

Resumo de entrevista concedida por Suely Caldas Schubert a Sumaya Risso, do Jornal A Voz do Paraná, de Cascavel, durante a XVIII Conferência Estadual Espírita, ocorrida em Pinhais, de 4 a 6 de março de 2016.
Em 29.8.2016.