gabriel salumVocê é Presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul. Como é ser tão jovem e ocupar um cargo tão importante?

É um misto de compromisso e oportunidade. Quando assumimos a presidência da Federação do Rio Grande do Sul, no ano passado[2016], tomamos o cuidado de recordar de uma fase de Isaac Newton: Se posso ver mais longe é porque estou sobre os ombros de gigantes. Então, é um exercício de muita gratidão àqueles que prepararam o momento de trabalho que temos, muitas vezes, dando testemunhos de lágrimas, de suor em tempos ainda mais difíceis. Também o compromisso de conseguirmos conectar, de modo fraternal, em torno do trabalho dos princípios da Doutrina Espírita, todas as gerações. A superação, às vezes, é deixar que o jovem trabalhe, produza. Também que  precisamos dos mais antigos. É um tempo de união de corações e gerações.

 

De um modo geral, as pessoas aguardam que os jovens, a pouco e pouco assumam as responsabilidades no Movimento Espírita. Você acredita que as nossas juventudes espíritas estão atendendo a esse projeto?

Sim. O que é que existe? Precisamos de metodologia para que essa inserção desses jovens seja uma inserção bem sucedida. Os Espíritos que reencarnam, como isso é parte de um planejamento Divino, estão em condições de trabalhar, de servir, de nos conduzir a momentos melhores. Precisamos treiná-los, orientá-los, compreender sua realidade e o seu interesse para que consigamos ter jovens preparados. Muitas vezes, arrojamos o jovem à tarefa sem prepará-lo e dizemos que ele não estava pronto. É preciso que tenhamos esse cuidado. O jovem tem as suas potencialidades, mas ele precisa muito de orientação e de oportunidade.

 

Qual é o papel do jovem, então, no outro lado desta moeda?

Humildade. Essencialmente, a humildade, que é a virtude que está na base de todas as outras. Humildade para aprender constantemente, humildade para esperar porque nem tudo é realizado no seu tempo, de acordo com a sua perspectiva. Muita perseverança para que ele consiga vencer os desafios da juventude, as distrações do materialismo e viver em abundância, como Jesus nos promete.

 

Como você avalia o Movimento Espírita, no seu Estado e no Brasil?

O Movimento Espírita tem dado passos muito importantes. Precisamos ter um investimento muito firme, em união e unificação, porque é como se a unificação fosse uma transportadora. Se a transportadora não funciona bem, o produto chega tarde, ou não chega, ou chega danificado. O produto que estamos falando é a mensagem do Evangelho, da Boa Nova. Os nossos laços de união são os meios através dos quais o Espiritismo chegará e a nossa missão na Terra é muito ampla, é destruir o materialismo, é suplantar a morte e vida, em todo o orbe. Isso é uma tarefa essencialmente coletiva, por isso nos emocionam tanto esses momentos de união e forças em que ninguém se destaca sobre os outros. A coletividade tem o seu papel. O Movimento Espírita tem refletido e amadurecido em torno da importância da união e da unificação, é por aí que vamos hastear a bandeira da fraternidade no mundo inteiro, vivendo inteiramente entre nós.

 

No mundo de hoje, com tantas distrações, tecnologia, redes sociais, qual é a maior dificuldade do jovem para se manter espírita?

É justamente o estabelecimento de prioridades. No processo efetivo de evangelização da infância e da juventude, precisamos fornecer esse ferramental espiritual a fim de qualificar as escolhas e não suplantar as escolhas do jovem porque ele tem a sua liberdade. Quando ele atinge essa fase de exercer o livre-arbítrio, de forma mais ampla, ele precisa se qualificar espiritualmente através do processo de evangelização. Uma vez que se encontra nessa faixa da puberdade, é o momento de escolhas muito importantes que precisam ser apoiadas. É então que orientamos e, naturalmente, permanecemos ao lado. Precisamos apoiar o jovem, psicologicamente, espiritualmente para que ele consiga suplantar, por exemplo, os desafios da sexualidade, a escolha da profissão, o próprio sustento e consiga vencer as resistências dentro do próprio Movimento Espírita para perseverar como trabalhador.

 

E ele precisa se sentir acolhido.

Com toda certeza, precisa ter pertencimento. Uma das grandes questões da juventude é que, muitas vezes, o jovem adota condutas de risco para pertencer a determinados grupos. O Centro Espírita e o Movimento Espírita precisam também ser grupos de pertencimento do jovem, em que as vivências são mais saudáveis e ele vai se sentir parte de um todo maior, não só acolhido, mas também fortalecido e encorajado a ser diferente.

 

Nesse contexto de Ideal, qual é o maior desafio do nosso Movimento Espírita?

União, sem sombra de dúvida. Superarmos os egos, os ciúmes. As diferenças são riquezas para nós e não impedimentos de relacionamentos. Ficamos pensando de que forma podemos ter autoridade moral para propor paz e fraternidade ao mundo. A única forma é pelo exemplo. Como ensinou Jesus, devemos ser reconhecidos por muito nos amarmos. Realmente, precisamos abrir mão de qualquer coisa que seja capaz de nos separar. Muitas vezes, buscamos ter razão e para provar a própria razão fraturamos as relações, ferimos os corações. O momento é de nos irmanarmos e vamos contagiar o mundo positivamente.

 

Você está participando da XIX Conferência Estadual Espírita. Qual sua avaliação, qual a importância deste evento?

Este é um momento de refrigério espiritual, de fortalecimento para nós. Viemos do Rio Grande do Sul, pelo carinho, pelo amor, pela admiração que temos ao trabalho da Federação Espírita do Paraná. Isso nos antecede em muitas gerações, esses laços são muito estreitos. O evento é excelente. Tenho oportunidade de dizer isso aos nossos irmãos: uma organização impecável, um acolhimento de público que é o recorde, mais de dez mil pessoas. Emocionante, tocante, mas, acima de tudo, podemos muitas vezes organizar questões exteriores, materiais, logísticas, mas não somos capazes de dissimular ambiências espirituais.  E a ambiência espiritual da Conferência é tão bela, tão fraterna, tão bonita, é a resultante de cada coração. Isso é o essencial deste evento. Por isso somos tão gratos a vocês todos por nos acolherem neste evento.

 

Vocês, no Rio Grande do Sul, terão um novo Congresso Espírita. Conte-nos qual será o tema, o que foi pensado para este ano, quem serão os palestrantes...

O novo Congresso Espírita do Rio Grande do Sul é essa edição que está voltando à capital. Buscamos um centro de eventos capaz de acolher uma proposta de Congresso inovadora. Teremos palestras, em torno do tema: “Espiritualidade nas relações para viver e conviver em paz”, toda a temática inspirada em “O Livro dos Espíritos e seus 160 anos”. Teremos, além das palestras, momentos de oficinas, momentos dialógicos, momentos de interação entre os participantes do Congresso.

Vamos ter a oportunidade o ensejo de ouvir os nossos irmãos conferencistas, excelentes conferencistas, muitos deles aqui conosco na Conferência, mas também de dialogar em grupos pequenos, orientados por pessoas treinadas para isso, refletindo mais profundamente sobre as temáticas, podendo elaborar de uma forma diferente, trazer suas posições, colher as impressões dos demais. O Congresso vai ter cento e quarenta e quatro oficineiros, que são trabalhadores do Brasil inteiro, que estão sendo treinados desde o ano passado e os sete palestrantes, que são os principais. O Congresso ainda tem programação especial para bebês. Não haverá fase da reencarnação que não terá alguma atividade no Congresso: 0 a 3 anos, Congresso para bebês; de 3 a 12 o Congressinho que vai para a terceira edição; um Congresso simultâneo com a mesma temático e claro, com a metodologia adequada para crianças. E teremos jovens de 13 a 21 além, é claro, dos conferencistas adultos. Então, a proposta é bem abrangente, é um Congresso para a família toda.

 

Quem estiver interessado, o que deve fazer para participar?

O Congresso ocorre de 3 a 5 de novembro de 2017, em Porto Alegre, no Centro de Eventos da PUC, da Pontifícia Universidade Católica e todas as inscrições, informações se encontram no site – www.espiritismors.org.br ou no próprio portal da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, fergs.org.br.

 

Deixe uma mensagem final enfocando os 160 anos de Espiritismo na Terra e como a nossa conversa foi nesse sentido, qual o papel do jovem nestes 160 anos?

Agradecemos por este momento de Comunicação Social Espírita que é tão importante. Desejamos êxito nas ações da nossa Federativa tão querida e tão próxima de todos nós. A você, que nos assiste, queremos deixar a certeza absoluta de que o Espiritismo é o Consolador prometido por Jesus às nossas dores, aos nossos ensejos de evolução. As nossas aflições e também as nossas grandes alegrias devem convergir para a Doutrina Espírita, essa Água Viva do Evangelho de Jesus que dessedenta as nossas almas. Busque o Espiritismo e descubra o que ele pode fazer pela sua vida. E você, amigo jovem, muitas vezes quando ouve dizer: Curta a vida porque a vida é curta – que nada, somos Espíritos imortais e o esporte mais radical que pode haver, o mais divertido, o mais intenso se chama reforma íntima. Para isso, precisamos de um grande GPS que é o nosso Mestre Jesus, para não nos perdermos jamais na jornada da vida. 

 

Entrevista concedida ao setor de Comunicação Social Espírita da Federação Espírita do Paraná, na XIX Conferência Estadual Espírita, no Expotrade, em Pinhais, em 19.3.2017.