sandra dela polla Amiga Sandra, você tem vindo ao Paraná, desde 1998. Recordamos que sua primeira participação foi exatamente em uma Conferência Estadual Espírita, que homenageava os 130 anos de A gênese. Qual é sua visão, hoje, da Conferência? Passados tantos anos, crescemos em todos os sentidos, burilamos o trabalho. A ampliação de local e, consequentemente, de público foi positiva?

Exatamente esse é o tópico que chama mais a atenção. À época, era um público bem mais restrito. Com o passar dos anos, houve todo um investimento Federativo, não só na questão de se ocupar um lugar maior, mas, outros recursos, praça de alimentação, a livraria, tudo isso possibilita um acolhimento, um aporte de recursos de divulgação.

Agora passei com Malena em frente à sala das mídias, é o século XXI realmente. Os que vimos, de mais tempo, observando esse processo ficamos encantados. No entanto, uma coisa se manteve. O Paraná mantém uma exigência na qualidade doutrinária e isso é muito positivo. Tudo que aumentou, aumentou nos acessórios, mas, no nível de qualidade doutrinária é uma exigência antiga e uma exigência atual e isso é muito positivo.


Temos constatado que os Centros Espíritas têm recebido um grande número de pessoas desejosas de conhecer a Doutrina Espírita. A que você atribui isso, na atualidade?

Essa busca que fizemos pelo exterior, resultou em nada. Está se concluindo um período de tempo e estamos neste momento de transição. Então, muitos estão concluindo exatamente isso: eu preciso de mais alguma coisa, há que ter mais alguma coisa.

Na maioria, noto hoje, principalmente no pessoal mais jovem, mais ligado à Academia, uma grande necessidade de busca de respostas que complementem as suas questões íntimas. Evidentemente, como estamos num planeta de expiações e provas, a dor ainda nos leva a buscar esse recurso da Doutrina.


Dentro desse panorama, você acredita que os Centros Espíritas estão preparados para atender a expectativa desse novo público frequentador?

Eles não terão outra saída. Se não estão preparados, se prepararem, porque a tendência é o aumento significativo. É importante que façamos investimentos na qualificação de trabalhadores, especialmente, aqueles que lidam com a divulgação doutrinária, para que tenhamos fundamento nas respostas e nas ponderações e possamos atender esse anseio das pessoas.

Acho que estamos fazendo algumas construções interessantes e, por outro lado, ainda temos algumas dificuldades a serem vencidas. Mas noto uma boa vontade federativa de melhorar essas condições.


Observamos no Movimento Espírita um grande empenho na qualificação dos trabalhadores espíritas. Você acredita que esse seja um bom caminho ou uma solução para melhor se atender aos que procuram as Casas Espíritas?

Do ponto de vista naturalmente Federativo, é o seu papel este investimento. Evidentemente, que o que vai satisfazer o destinatário é quando conseguirmos uma coerência entre a tese e a prática porque o que realmente divulga a Doutrina é a atitude de quem a divulga. Dessa forma, praticamente, serão esforços inúteis se não conseguirem alcançar o coração do trabalhador. Agora, enquanto Federativa, é esse realmente o seu papel e não outro.


Você tem auxiliado nesse processo de qualificação em nosso Estado, especialmente em duas áreas: mediunidade e infância e juventude. Falando-se da infância e juventude, em sua opinião, quais as maiores dificuldades enfrentadas hoje, nas atividades de evangelização infantojuvenil?

Não vejo outra saída para a nossa criança e para o nosso jovem senão o conhecimento dessa Doutrina. Está chegando um momento muito complicado do planeta. Então, por mais predisposição íntima que eles tragam no bem e, sem dúvida alguma, trazem, isso é notável em algumas crianças, por mais predisposição íntima, o reforço tem que ser feito.

Elas trazem também uma grande demanda na área, exatamente por terem uma inteligência mais desenvolvida, uma grande dificuldade na área dos limites propriamente ditos. Elas não são imorais, não são amorais, mas, têm dificuldades. Uma pessoa muito inteligente acha que pode tudo. E eu noto isso muito hoje na criança. Por isso, ela precisa de explicações que conduza essa força toda para alguma coisa de positivo. Portanto, vejo a Doutrina Espírita com um grande papel nesse processo educacional.


Temos presenciado jovens com dificuldades depressivas e com tendências suicidas, inclusive entre aqueles que estão na Casa Espírita. O que fazer, qual a melhor forma para se conseguir manter esse jovem na Casa e acolhê-lo na sua problemática?

A qualificação infantil nesse setor vai possibilitar boas conquistas porque, em primeiro lugar, é preciso entender esse material. A depressão é uma doença, mas também é uma doença como qualquer outra com relação aos nossos históricos [reencarnatórios].

A informação a esse jovem é fundamental, o acolhimento que ele pode ter, além daquele espaço educativo, pode fazer com que ele ache ser um espaço seguro e isso vai permitir que algumas amarras internas se afrouxem e ele possa se entregar ao processo de educação.

Evidentemente, que a Casa com um sério objetivo, depois de qualquer curso de qualificação do Atendimento Espiritual vai encaminhá-lo, não ao profissional A, B ou C, mas a um atendimento médico qualificado. Essas duas terapêuticas tenderão a auxiliá-lo significativamente. E, naquilo que não for possível vencer nesta encarnação, ele vai saber por que e como lidar.


Na área da mediunidade, sabemos que nas reuniões mediúnicas existem práticas que não seguem as diretrizes de Allan Kardec em O livro dos médiuns, o que nos diz da falta de conhecimento dessa base doutrinária. Como reverter essa situação que ocorre em tantos lugares, em tão diversos Centros Espíritas?

A Federativa Paranaense tem feito um grande esforço no estudo da mediunidade. Há um projeto sendo desenvolvido, de excelente qualidade. Vamos ter que perceber a grande contribuição que Jesus deu na área dos nossos intercâmbios. O ser humano tem essa competência da comunicação, nunca está inativo, ainda quando o corpo físico esteja aparentemente inativo, o Espírito está soberano, está no apogeu das suas potencialidades.

Ele não é um aparelho qualquer, ele é todo um ser e selecionar a comunicação é fundamental. Aprender sobre isso, descobrir a grande contribuição de Jesus na construção de uma pessoa melhor. Na reunião mediúnica, o dialogador deve ser esse sujeito que pode levar essa informação, a importância do amor, a importância do perdão. Não há outra terapêutica que não o amor, já tentamos todas, nenhuma funciona.

Efetivamente, quando Allan Kardec publica, em 1861, O Livro dos Médiuns, toda a preocupação com a qualidade moral, toda a preocupação com a formação desse trabalhador, é uma metodologia imbatível. Existem outras de fato, outros pensares em relação à reunião mediúnica, mas, é importante que se perceba o momento que estamos passando, que é um momento em que precisamos, fundamentalmente, de amor. Ela tem que ser pautada dentro dessa linha do perdão, do amor.


Como trabalhar a qualificação na mediunidade para conseguirmos unificação nessa tarefa de tão grande responsabilidade dentro do Centro Espírita?

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. A educação é lenta. O processo educacional no indivíduo é lento por “n” razões, mas é o único investimento a ser feito. Todos os outros serão apagar incêndio, a educação é formar um ser. É preciso continuar investindo no estudo, na conscientização, nesse processo de estudo de qualidade.


Sabemos que o trabalhador tem uma grande responsabilidade nesse processo. Fale-nos um pouco a respeito desse compromisso, desse comprometimento do trabalhador.

Se ele de fato foi formado da forma mais adequada, isso vai ser um contingente natural porque ele sabe porque está ali. Ele não está ali por esse ou por aquele, está ali por uma função pessoal reencarnatória. Não está fazendo nada para ninguém, está fazendo para si próprio, eventualmente, servindo a outro. Na medida em que se faça uma boa formação, tem-se um bom resultado. Naturalmente, isso não impede, e é adequado inclusive, que o processo externo seja estimulador. Nada impede que se pense em estratégias motivacionais. Mas, indiscutivelmente, o despertar da consciência é a maior motivação que se pode ter.

Mas é uma responsabilidade muito grande quando se coloca como trabalhador da Casa Espírita.

Reencarnar é uma responsabilidade muito grande e assumir um projeto reencarnatório que levará, ser for assim combinado, à Casa Espírita é uma decorrência. É o sujeito ser honesto. Prometeu lá, cumpre aqui. Simples assim.


Sandra, 160 anos de Espiritismo na Terra, mais uma Conferência. Qual sua avaliação, qual a mensagem que você deixaria de importância para esta Conferência?

Particularmente, estou adorando. Dizem que é porque moro mais no Paraná do que no Rio Grande do Sul e não é verdade. Mas, particularmente, estou adorando. Adoro encontrar pessoas, adoro conversar sobre Espiritismo, gosto deste padrão vibratório que se forma. Isso me alimenta, sou muito sensível a isso. Para mim, é encantador estar neste espaço.

A possibilidade de estar participando como convidada na exposição, porque eu viria de qualquer jeito, esta oportunidade, ao mesmo tempo que me traz uma grande responsabilidade íntima, me incomoda um pouco por estar fazendo uma tarefa de tal monta. Não posso dizer que não fique preocupada, fico sim. Ao mesmo tempo, é encantadora, é o que gosto de fazer e me dá muito prazer.

A Conferência, a meu juízo, até o momento, e tudo indica que será assim até o fim, é um excelente nível de contribuição, com exceção da que dei agora há pouco, é um excelente nível de contribuição. Temos encontros e reencontros. Estão aqui gaúchos, catarinenses, temos paulistas, gente do Exterior, gente de todo este país. É uma família espírita que se encontra. Não pode ter nada mais magnífico do que isto, feito com essa delicadeza que vocês fazem, todos os detalhes, tudo pronto, tudo pensado.

Cheguei ontem, no meu quarto, porque como se pensou que o voo poderia não acontecer, de Cascavel para cá, viemos de carro, e só fui ao meu quarto no hotel, mais de dez horas da noite. Abri a porta, havia um cartão e uns biscoitinhos, quer dizer, uma pessoa pensou nisso antes: vou entrar lá, vou deixar este cartão para ela. E assim deve ter feito com todos. O que dizer de um espaço assim? Isto é um mundo regenerado que se pode construir em todos os espaços.

Essa é a nossa esperança, a nossa alegria de viver. Essa a mensagem que gostaria de dizer, que a vida é uma oportunidade sublime. A reencarnação, apesar das vicissitudes, inclusive por causa delas, nos permite crescer.

Portanto, aproveitar todos os momentos o melhor que se possa, diante dessa perspectiva de que tudo isso nos foi ofertado para o nosso bem.


Então, deixe uma mensagem final para aqueles que estão nos assistindo, que vão nos ouvir: é possível a felicidade na Terra?

Sim. É possível a felicidade na Terra na medida que em que entendamos o que seja a felicidade. A felicidade, na visão espírita, se constitui não só o desenvolvimento de uma potencialidade a longo prazo, porque a felicidade plena é mais adiante. Mas, a felicidade que é possível na Terra, podemos construí-la, intimamente, desde que percebamos que ela está numa consciência tranquila, em fazermos escolhas adequadas. Portanto, a cada passo, fazermos o melhor que esteja ao nosso alcance. Não há nada melhor do que passar os dias e poder olhar para trás e não ter do que se arrepender.

 

Entrevista concedida ao setor de Comunicação Social Espírita da Federação Espírita do Paraná, na XIX Conferência Estadual Espírita, no Expotrade, em Pinhais, em 18.3.2017.
Em 5.6.2017.