demetrio lisboaDemétrio, é uma grande alegria tê-lo conosco, novamente, participando, da nossa Conferência Estadual Espírita. Você tem ideia de quantas pessoas da Mansão, do Centro Espírita Caminho da Redenção se deslocaram para essa participação, neste ano?

Quero inicialmente agradecer o convite de vocês. Estamos em quarenta pessoas. Eu mesmo já estou participando pela quarta ou quinta vez.

Ficamos sempre muito felizes com esses companheiros que vêm abrilhantar nosso evento, acompanhando o querido Divaldo Pereira Franco. Você é presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador. Poderia nos falar um pouco a respeito dessa experiência, desde quando está na presidência, quando expirará seu mandato, suas atribuições.

Devo dizer, inicialmente, que foi uma grande satisfação, um grande desafio, é um grande desafio presidir a Mansão do Caminho, o Centro Espírita Caminho da Redenção.

Ao mesmo tempo, é gratificante. Conjugando essas duas vertentes, digo que me sinto bastante feliz exercendo esta atividade. Assumi a presidência em 2013, estou no segundo mandato e deve expirar até para o ano.

Mas, por que eu disse que foi um grande desafio? Porque sou o segundo presidente, em setenta anos, do Centro Espírita Caminho da Redenção. Já imaginou substituir o presidente Nilson de Souza Pereira, que nós chamamos de Tio Nilson, durante sessenta e cinco anos aproximadamente?

No Centro Espírita, temos aquelas atribuições legais, previstas no estatuto. Também coordenamos as ações interdepartamentais, somos nós que autorizamos, assinamos cheques e autorizamos despesas da Mansão do Caminho. Convocamos reuniões da Diretoria Executiva, definimos os chefes dos setores, ouvindo os chefes de Departamentos. Temos também como admitimos e demitimos funcionários, o que não é muito agradável.

O Centro Espírita tem uma diversidade de atividades. Em se falando do Caminho da Redenção, que tem Divaldo várias vezes ao ano presente, nas palestras, cremos que deve haver um acréscimo ainda de cuidados e providências que envolvem a presidência, diretamente. Como tudo isso é administrado?

Divaldo e Nilson de Souza Pereira foram os fundadores do Centro Espírita Caminho da Redenção. Tio Nilson se anulou para que Divaldo crescesse, exatamente isso. Então Divaldo, na maioria das vezes, viajava sozinho. Tio Nilson ficava na retaguarda para tudo funcionar. Nós de igual forma. Naturalmente, a Diretoria Executiva é quem toma de fato, imediatamente, as medidas que são necessárias, mas, em alguns casos, consultamos Divaldo.

A opinião dele é muito importante, a experiência que ele tem, a orientação que ele dá, é super importante. Dessa forma, quando ele viaja, viaja descansado, porque sabe que, na retaguarda, há pessoas que estão ali com um único objetivo: fazer aquilo mesmo que Tio Nilson fazia. Somos voluntários, toda a Diretoria é composta por voluntários e que já tenham independência financeira.

Sabemos que existem alguns companheiros que residem na Mansão do Caminho. Você é um desses voluntários ou comparece ao Centro Espírita em dias e horas estabelecidos, como fazem os voluntários no Movimento Espírita?

Existem residentes, hoje são cerca de quatorze. Eu não resido lá, estou aposentado e compareço diariamente. Nosso horário é das 7h às 17h e três dias na semana fico à noite para as reuniões doutrinárias e mediúnicas. Chego em casa por volta de 10h30min, 11h da noite.

Atendemos e nos dedicamos diariamente. Muitas vezes, também sábados e domingos quando há necessidade.

Como você chegou ao Centro Espírita Caminho da Redenção? Conhecia Divaldo anteriormente? Como se tornou voluntário?

Isso é um pouco mais longo, se me permite. Sou natural de Aracaju. Quando era pequeno, adorava assistir os desfiles militares. Dizia à minha mãe, que ficou viúva com trinta e seis anos e seis filhos, eu era o mais novo (meu pai desencarnou um dia antes de eu completar dois anos), que queria ser Marechal do Exército.

Por conta disso, ela me levou a Salvador para que eu fizesse um exame de admissão ao Colégio Militar do Exército. Eu tinha dez anos.

Fiz o exame de admissão, cursei o ginásio, na época ginásio, fui morar num pensionato.
Depois, fui para Campinas estudar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército e retornei para Aracaju onde cursei a faculdade. Sou Químico Industrial.

Mas minha mãe, quando ia me visitar em Salvador, umas duas ou três vezes, me levava na Mansão do Caminho, no Centro Espírita que, nessa oportunidade, era na cidade baixa.

Eu me aposentei bem jovem, era registrado por tempo de serviço, com quarenta e quatro anos. Minha aposentadoria é especial. Por ser químico, trabalhei em Plataforma, por isso me aposentei cedo. Minha esposa, que ainda trabalhava, era Assistente Social.

Durante dois anos fiquei a imaginar o que faria da minha vida. Foi aí então que aquela semente que minha mãe plantou, falando de Divaldo, brotou. Resolvi ser voluntário, e fui para a Mansão do Caminho procurar um “emprego”.

Fui, me apresentei, meu primeiro trabalho foi no Setor de Pessoal, ou de Recursos Humanos. Tive como tarefa, que me deu o chefe do Setor de Pessoal, pegar todas as pastas dos funcionários, verificar se tinham todos os documentos que eram necessários e colocar na ordem que ele determinou.

Na Petrobrás, naquela época dos microcomputadores, eu tinha um certo conhecimento a respeito. Houve a necessidade de microcomputadores no Centro Espírita, poucas pessoas conheciam e houve necessidade de manutenção.

Resolvi fazer um curso de manutenção de computador. Pela manhã, ficava na Mansão do Caminho, à tarde eu frequentava uma oficina que era oficina e loja de venda.

Fiz uma proposta ao proprietário: Trabalho aqui de graça para você durante a tarde. Em compensação, você me ensina a montar e desmontar computador. Naquela época não era tão fácil, como hoje, onde se troca uma placa.

Surgiu a necessidade de criamos um Setor de Informática. Isso me ajudou muitíssimo para que eu falasse a mesma língua.

Tudo foi fluindo. Passei por quase todas as atividades. Criei o Setor de Compras, que não existia; trabalhei na manutenção, na construção de alguns edifícios, da Casa de Parto, da Biblioteca, até chegar onde cheguei.
Dessa forma, é que consegui me doar. Fui para lá em 1996, fim de 1995. Como disse, há pouco, a responsável foi a minha querida mãe.

Além das atividades próprias do Centro Espírita, existe um envolvimento com as atividades da Mansão do Caminho? Por exemplo, a Juventude Espírita é constituída de jovens de famílias espíritas, acrescida dos jovens que estudam e/ou têm famílias assistidas pela Mansão do Caminho? E a Evangelização Espírita Infantil?

A obra social do Centro Espírita é a Mansão do Caminho. A pessoa jurídica é o Centro Espírita Caminho da Redenção. A obra social envolve atividades de educação, de assistência social e de saúde.

No que diz respeito à parte doutrinária, qualquer um pode se candidatar de livre interesse, sejam filhos de lá ou filhos de funcionários. Temos muitos funcionários e na Mansão do Caminho não há barreiras de religião, raça, cor. Diga-se que a maior parte dos nossos funcionários é formada por evangélicos.

Colhemos no site do Centro Espírita que a partir de janeiro deste ano [2018], os atendimentos pessoais que precedem às reuniões doutrinárias na Mansão do Caminho com Juan Danilo e Divaldo Franco deverão passar previamente pelo Atendimento Fraterno, onde as pessoas serão selecionadas e encaminhadas para esse fim.

O que seria esse atendimento pessoal com os companheiros mencionados: algo diferente do Atendimento Fraterno que realizamos, habitualmente nos Centros Espíritas?

Temos um Departamento, entre os dezoito, na estrutura do Centro Espírita, que é o Departamento Doutrinário. Compete ao Departamento Doutrinário toda essa atividade, ou seja, as reuniões doutrinárias, reuniões mediúnicas, a evangelização.

Tenho informações de que quando Divaldo começou o Atendimento Fraterno, quando começou atender as pessoas, ainda na antiga Sede, que era na cidade baixa, ele ficava até uma ou duas horas da manhã.

Diante disso, foi criado um Atendimento Fraterno em grupo, que passou a atender as pessoas antes dele. Era sobre-humano ficar atendendo até uma, duas horas da manhã e no dia seguinte continuar.

Isso era habitual. Criou-se, então, o Atendimento Fraterno. Foi estabelecida uma estrutura com cursos e essas pessoas que foram qualificadas passaram a atender aqueles que assim desejavam. Os casos mais sensíveis é que eram encaminhados para Divaldo. Durante muito tempo assim funcionou.

Recentemente, Divaldo resolveu mudar. Antes de iniciar as reuniões doutrinárias, ele passou a atender todos que desejassem. Formava uma fila e ele atendia. Ficava uma hora em pé, depois mais uma hora em pé fazendo a palestra.

Mas, na idade em que ele está, duas horas em pé é demais. Então, foi programada uma triagem, e os casos mais difíceis, digamos assim, o atendente fraterno encaminha para ele, que atende em uma sala reservada.

Gostaríamos que o amigo nos deixasse uma mensagem para nós todos, trabalhadores do Movimento Espírita e aos espíritas em geral.

A minha mensagem final é de que vale a pena trabalhar e seguir aquilo que o Mestre Jesus deixou como legado.

Vale a pena exercitar a paciência, a tolerância, humildade, caridade, indulgência, compaixão, porque isso é exatamente aquilo que recebemos. É gratificante porque estamos fazendo ao próximo e nos ajudando também.

Agindo assim, vamos vencendo as nossas deficiências, vamos adiante, crescendo, que é o objetivo de todos nós que trabalhamos na Doutrina Espírita.

Parabéns pelo trabalho e muito obrigada pela entrevista.

 

Entrevista concedida ao setor de Comunicação Social Espírita da Federação Espírita do Paraná, na XX Conferência Estadual Espírita, no Expotrade, em Pinhais, em 17.3.2018.