Ivone CsucsulyIvone, agradecemos a gentileza de nos conceder esta entrevista. Desejamos, inicialmente, saber um pouco a respeito de você, se já nasceu em lar espírita ou quando se deu sua adesão ao Espiritismo. E como se tornou trabalhadora do Movimento Espírita?

Nasci em lar espírita. Desde cedo, fui encaminhada para a evangelização. Casei-me com um rapaz espírita. Tudo isso facilitou a minha permanência no Espiritismo, e agradeço imensamente a Deus.

 

De voluntária da Casa Espírita, Associação Espírita de Maringá – AMEM, e da URE 7ª região, sediada em Maringá, você se tornou âncora de um programa televisivo. Como foi isso?

Costumo dizer que esse programa iniciou de um ideal de meu esposo Lannes. Ele e eu fazíamos um programa de rádio juntamente com outros companheiros espíritas. Mas, ele tinha o sonho de levar a mensagem espírita através da televisão, isso há vinte e quatro anos, o que não era comum. Alimentando esse desejo, ele se propôs a ir conversar com o dono de um canal de televisão que ficava na cidade de Sarandi, próxima de Maringá.

Quando estava chegando, encontrou um amigo, Adalberto, que não era espírita. Conversando, disse-lhe que ali estava para conversar com João Cioffi, dono da RTV, porque gostaria de ter um programa espírita na televisão.

O amigo lhe disse: “Vamos fazer o seguinte: eu vou conversar com ele porque é meu amigo.” Depois de alguns dias, ele disse: “Lannes, vocês têm cinquenta minutos de programa na RTV, e os primeiros seis meses serão por minha conta.”

Surgiu assim de um ideal e nos dá a impressão de que tudo foi encaminhado, pela Espiritualidade.

 

O programa televisivo O Espiritismo Responde iniciou no ano de 1994. Como foram as primeiras transmissões?

Era ao vivo. Interessante que toda vez que Lannes falava em um programa de televisão eu dizia que ele teria todo o meu apoio, mas que não pensasse em me colocar diante das câmeras.

Quando marcamos a data para a primeira transmissão, começamos a nos preparar. Viemos a Curitiba em uma Conferência e conversamos com Divaldo. Ele nos incentivou bastante, gravou uma mensagem de apresentação para ser levada ao ar no primeiro programa. Para nós, foi um incentivo muito grande.

Conversamos com companheiros da nossa Instituição Espírita, que se mostraram bastante receosos, a princípio, preocupados com a atividade, mas disseram que nos apoiariam.

Para aquela data de início, Alberto Almeida estava passando por Maringá para uma atividade na região. Nós o contatamos e ele se prontificou a conceder a entrevista. No entanto, não tínhamos quem apresentasse o programa. Meu esposo pediu: “Ivone, faça isso para nós. Afinal, é só fazer algumas perguntas.” É só fazer... e nós aceitamos.

Entendo que, como toda a atividade espírita nos traz muita satisfação íntima, quando a realizamos, temos vontade de voltar a fazer. Foi o que aconteceu comigo. Fiz aquele primeiro programa, conversei com Alberto Almeida e me senti muito feliz realizando aquele trabalho, senti a produtividade. Então, continuei apresentando o programa até a atualidade.

 

Naturalmente, deve ter sido formada uma equipe de trabalho. Quantos a compunham, inicialmente, quantos a compõem hoje e o que, desde a idealização do programa, estabeleceram como objetivo do programa?

Inicialmente, contávamos com o apoio de algumas pessoas, mas estávamos mesmo em torno de cinco a seis. A equipe aumentou, com o decorrer dos anos, no sentido de apoio. Na questão da produção, da apresentação, da angariação de recursos, continuamos numa equipe de mais ou menos dez pessoas.

Quanto ao objetivo, logicamente, era levar a Doutrina Espírita ao maior número de pessoas possível. Como o nome do programa propõe, era responder aos questionamentos das pessoas a respeito da vida, de seus conflitos íntimos. Por isso, desde o início, procuramos tratar de temas básicos, os princípios básicos da Doutrina, aquelas questões que levam a pessoa a entender os porquês da sua existência.

 

E qual era a duração do programa, como foi o primeiro formato? Como se chegou ao atual – foram muitas mudanças, ao longo desses 24 anos de produção semanal?

Durante algum tempo, como dissemos, ele foi realizado ao vivo. Posteriormente, o proprietário da emissora de TV nos comunicou, e foi de forma repentina, que a partir do próximo programa ou dali a quinze dias, o programa não seria mais ao vivo. Deveríamos levar o programa editado, pronto para a exibição.

Ficamos muito preocupados, com uma situação muito difícil em função do custo de estúdio, entre outras. No grupo de estudos de que participamos, na Casa Espírita, comentamos a questão e uma das participantes nos disse que seu marido estava organizando um estúdio de televisão, com dois amigos. E se propôs a conversar com ele para ver se poderia gravar para nós.

Depois de alguns dias ela nos deu a resposta positiva. Gravamos, por algum período, nesse estúdio. Logo, o estúdio não deu certo, o que nos levou a gravar em nossa própria casa, algumas vezes, improvisadamente.

Mais tarde, esse companheiro, José Luiz, montou um estúdio próprio e até hoje nos presta essa assistência, de grande valia para que o programa vá ao ar.

 

Como vocês trabalham com entrevistas, pode nos dizer qual o critério de que se servem para escolha dos entrevistados? Há dificuldades em manter esse quadro de entrevistas? Poderia citar alguns entrevistados de projeção no Movimento Espírita que foram recepcionados no Programa?

Nossa principal preocupação é a questão doutrinária, como a mensagem espírita vai chegar aos telespectadores. Temos um número muito grande de companheiros no Movimento Espírita que podem dar essas contribuições, mas alguns não se sentem à vontade. Isso nos restringe um pouco. Contudo, contamos com a colaboração de um grupo de palestrantes de Maringá, também dos conferencistas e dos palestrantes de todo o Paraná. Queremos agradecer, de um modo muito especial, à Federação Espírita do Paraná, aos seus dirigentes, que sempre nos apoiaram, os palestrantes do Paraná e de outros Estados, que passam pela nossa região e dão essa colaboração. Inclusive tivemos pessoas que foram à Maringá especialmente para gravar entrevista para o programa.

Já participaram do nosso programa Divaldo Pereira Franco, várias vezes; Raul Teixeira, Alberto Almeida, Haroldo Dutra Dias, Sandra Borba, Sandra Della Pola. Maria Helena Marcon, Adriano Greca, Luiz Henrique da Silva, membros da Diretoria já deram a sua colaboração e continuam dando.

 

Parece que o Programa Momento Espírita sempre fez parte de O Espiritismo responde. Ele tem contribuído eficazmente?

Sim. O Momento Espírita dá um colorido especial ao programa. As mensagens são belíssimas, tocam as pessoas. Desde o início do programa, colocamos a mensagem do Momento Espírita e é impressionante o retorno que temos.

As pessoas falam muito nesse quadro, ligam perguntando em qual CD eles podem encontrar a mensagem do dia, embora anunciemos.

Interessante que várias pessoas já confundiram o programa com o Momento Espírita. Elas nos dizem: “Assisto o seu programa, o Momento Espírita.” Então, ele dá realmente um colorido especial para o programa, é muito apreciado.

8.Se o programa se chama O Espiritismo responde, em algum momento, vocês respondem a perguntas enviadas por telespectadores? Ou, eventualmente, questionamentos que foram remetidos ao programa, acabaram gerando algum programa específico?

Normalmente, os telespectadores formulam perguntas por e-mail ou por telefone. Uma experiência muito interessante que tivemos, com relação aos questionamentos dos telespectadores, foi por ocasião da realização dos programas especiais.

O Senhor João Cioffi, dono da emissora, gosta muito do programa e a cada cinco anos ele nos concede um horário especial de uma hora e meia, ao vivo. Maria Helena Marcon participou de todos eles. Quando o programa fez dez, quinze e vinte anos e, nesta hora e meia havia a linha de comunicação para os telespectadores fazerem perguntas, não se conseguia responder a todas. Assim, durante um ou dois meses posteriores, montávamos os programas respondendo àquelas perguntas não respondidas.

 

Vocês têm alguma forma de avaliação que lhes possibilite concluir se os objetivos delineados estão sendo alcançados?

A avaliação que fazemos é através do contato pessoal. Temos retorno das pessoas que nos encontram em supermercados, lojas, farmácias. O que observamos é que o grande número de telespectadores não é espírita. O retorno é maior de pessoas não espíritas, o que nos diz que estamos alcançando aquele público que não tem oportunidade de ler, de ir à Casa Espírita, mas que gosta do programa. Pessoas nos dizem: “Sou de tal credo religioso mas, eu gosto, eu assisto.” Também acompanhamos e avaliamos pelos acessos na Internet.

10.Dentro disso tudo, desse trabalho que se mantém, semanalmente, há mais de duas décadas, um detalhe importante: quem custeia o programa e sempre foi assim, desde o início?

Temos associados contribuintes. Como dissemos têm contribuintes que são colaboradores desde o início, ajudam e, às vezes, fazemos alguma promoção financeira para ajudar o programa.

 

Nesses anos todos, algum relato interessante/curioso de espectador ou notícia de alguém que tenha sido confortado pela mensagem do programa?

Temos algumas situações muito interessantes. Nós nos lembramos de uma mãe que chegou para nós e disse: “Eu queria muito agradecer o programa da semana passada, porque o meu filho, era um jovem, adolescente ainda, assiste o programa conosco de manhã. Ele me contou que saiu com os seus amigos à noite, num sábado, e me disse: ‘Mãe, a senhora sabe que eu deixei de ter uma atitude que ia me complicar em função do que eu ouvi no programa de manhã?’

Também lembramos de um casal. O marido ia a nossa Casa Espírita, de vez em quando, ele nos relatou que estava com dificuldade com a esposa, estavam inclusive pensando em separação. Num sábado de manhã, antes de se levantarem, eles se propuseram a assistir o programa, que tinha como tema o casamento. O Momento Espírita também foi sobre o casamento, porque procuramos ligar o assunto do Momento Espírita com o tema a ser desenvolvido. O Momento Espírita e a entrevista sensibilizaram o casal.
Lógico que nós, espíritas, sabemos do envolvimento que eles tiveram nesse instante, do trabalho da própria Espiritualidade, no sentido de envolvê-los para que eles mudassem a sua opinião.

 

Com tantas bênçãos, nesses anos todos, nesse anseio de sempre oferecer algo melhor, quais os planos futuros para O Espiritismo responde?

Pretendemos continuar com O Espiritismo Responde, sabendo que agora ele já extrapolou as barreiras do Brasil, porque está na Internet. Pensamos que a divulgação do Espiritismo através da mídia é positiva, está sendo aceita e tendo um alcance muito grande.

O nosso pensamento é utilizar esse estúdio para outras transmissões. Pensamos, inclusive, num grupo de estudos que seria transmitido pela FEPTV; também aproveitamos o estúdio para gravações de palestras da própria Associação Espírita de Maringá.

Na última segunda-feira [12 de março], a equipe transmitiu a palestra de Divaldo Pereira Franco na cidade de Campo Mourão. Então, os planos são ampliar o trabalho de divulgação do Espiritismo pela sua importância.

Agradecemos a gentileza da sua participação, oferecendo-nos detalhes tão ricos, a respeito dessa tarefa que ultrapassou duas décadas e continua no ar, sempre melhor. Obrigada.

 

 

Entrevista concedida ao setor de Comunicação Social Espírita da Federação Espírita do Paraná, na XX Conferência Estadual Espírita, no Expotrade, em Pinhais, em 17.3.2018.