Entrevista Ester Miranda Nunes  (2018)

1.Ester, inicialmente gostaríamos de saber um pouco sobre você, como chegou ao Espiritismo, como se tornou trabalhadora da Doutrina Espírita.

Entrei no Movimento Espírita pela curiosidade. Fomos a uma palestra, devido à necessidade de uma vizinha, há mais ou menos vinte e sete ou vinte oito anos. Fomos acreditando que a Casa Espírita iria resolver os problemas. Não resolveu como esperávamos mas, a Causa nos conquistou e todas as segundas-feiras começamos a nos fazer presentes. Ela desistiu, eu continuei. Começamos a participar de grupos de estudos e do atendimento no sábado, o atendimento de Assistência Social. Estamos ali até hoje.

2.Você é presidente da mais nova União Regional Espírita do Estado do Paraná, a 21ª. Pode nos dizer quantos municípios compreendem essa URE e quantos deles possuem Centro Espírita?

São oito municípios. Iniciamos com sete e conquistamos mais o município de Ortigueira. Quatro têm Casas Espíritas. Já temos um primeiro contato com o município de Ortigueira, fizemos uma palestra pública lá.

Estamos em contato com o município de Ventania. Há uma possibilidade de uma palestra futura, talvez em breve.

3.Essa URE foi criada, em 27 de setembro de 2014, a partir de divisão territorial da segunda URE, que tem sede em Ponta Grossa. Foi um pedido do Movimento Espírita ou uma necessidade apontada pelas lideranças essa divisão?

Acredito que foi uma necessidade das lideranças da Região. A extensão territorial é extensa, é grande. Mesmo a 21ª URE, com apenas oito cidades, o território é vasto, muito grande. Da sede de Telêmaco a Piraí, a Jaguariaíva são duas horas, duas horas e vinte. Acredito que se tornou difícil para Ponta Grossa, para a 2ª URE atender a todas as Casas como gostaria de atender.

Mesmo para nós, depois da divisão, como URE temos ainda certa dificuldade em atender. Algumas cidades não têm linha de ônibus direto. Então, para se poder fazer uma palestra, para a participação deles nos seminários, nas capacitações na nossa URE, existe essa dificuldade.

4.Quais os benefícios imediatos registrados com a criação dessa URE?

O benefício maior é do trabalhador. Nós nos deparamos, de repente, como sede de URE. Nesse início, tivemos que capacitar mais trabalhadores.

Então, o benefício foi um envolvimento maior, uma união maior. Os trabalhadores são poucos, antes focados apenas na nossa Casa Espírita, aguardando que a URE levasse tudo solucionado para nós.

De repente, nos vimos com a responsabilidade da nossa Casa e também com oito municípios, com mais três Casas. Houve crescimento, o aprimoramento, a união, a unificação. Demo-nos as mãos, cientes de que temos que multiplicar. Saímos da zona de conforto, buscamos conhecimento, capacitação. E nos pusemos a trabalhar.

5.Com certeza, devem ter sido muitos os desafios que tiveram que ser enfrentados. Quais foram os mais difíceis, quais as dificuldades, enfim, nessa iniciativa de se firmar como URE, um órgão de unificação, um braço da FEP nessa região?

Os desafios continuam constantes. Manter o trabalhador animado é o principal. A seara é grande, os trabalhadores são poucos, o trabalho tem que ser feito.

O trabalhador espírita não brota. É preciso ir pescando nos grupos de estudos, conscientizando. O trabalhador, quando vem para a causa espírita, vem com o conceito: Eu quero trabalhar.

O desafio maior é esse: conquistar o trabalhador, mantê-lo animado porque muitas vezes, temos dificuldades na vida. Temos problemas familiares, financeiros, profissionais e temos a causa espírita. Então, quando faltam trabalhadores ou o trabalhador não está respondendo à altura, o coordenador ou o responsável pode desanimar. Nessa hora, todos os departamentos têm que se unir, enxugar a lágrima daquele que está desanimando; fortalecê-lo, enfim, buscar força interior, manter a fé em nós mesmos. Manter a fé que Jesus está no comando; que não estamos desamparados; que nossos mentores estão trabalhando. Confiar no dirigente espiritual do grupo, do setor, da Casa, da Causa.

6.Você está em fase final de sua segunda gestão. Nesse período, foi-lhe possível formar equipe, assegurando a continuidade do bom trabalho doutrinário nessa regional?

Sim, formamos equipe. Com minha saída, os trabalhos continuam, a equipe se mantém.

7.Em se falando da Qualificação do Trabalhador Espírita, essa URE tem multiplicadores para todas as oito áreas?

Foi uma coincidência. Quando a URE foi criada, em Telêmaco, foi a fase em que a Federação trouxe a capacitação, formando multiplicadores. Nós conseguimos multiplicador em todos os departamentos. Já fizemos a multiplicação, na região. Não atingimos cem por cento daquilo que queríamos mas, atingimos cem por cento das nossas necessidades.

Por vezes, o projeto tem um objetivo, mas existem as especificações de cada setor, de cada cidade, de cada região. Atingimos os objetivos dentro das nossas necessidades. Isso foi importante. Levou para as nossas Casas aquilo que precisavam e naquele momento bastou.

8.E como tem sido essa experiência com os multiplicadores? Como tem sido a aplicação dos cursos, a participação?

Todas as Casas se fizeram representar. Não atingimos cem por cento dos trabalhadores pela dificuldade geográfica da nossa região e a de transporte. Mas, alcançamos um bom número.

9.Você nos disse, em certa oportunidade, que foi tomada de surpresa para assumir a presidência da URE. Hoje, com sua experiência de quatro anos de intenso labor, o que aconselharia a quem é candidato a esse cargo?

Penso que deva ter vontade. Quem, em setembro/outubro assumir a 21ª URE, precisa ter vontade, renúncia. Precisa manter a equipe, delegar, confiar.

10.Tem que ser realmente um trabalho em conjunto e pelo que você comentou tem sempre que estar um para apoiar o outro nos momentos de necessidade.

Você falou a palavra certa, tem que ser um trabalho em conjunto. Um Presidente de qualquer Instituição é apenas uma pecinha do quebra-cabeça. Se não tiver todas as peças o quebra-cabeça não encaixa.

O dirigente é apenas a pessoa que está ali, é uma peça. O Presidente sozinho não faz nada. Precisa da equipe trabalhando junto, coesa. Precisa ter humildade para ouvir, para aceitar a reprimenda, a recomendação. E confiar nos trabalhadores.

Temos os nossos trabalhadores, da URE, das outras Casas, Piraí, Arapoti, Jaguariaíva, Telêmaco. A equipe é boa. Ficou mais fácil quando desmembramos da 2ª URE para dar assistência. Ficou mais fácil esse contato e temos contato quase mensal. Todos os meses palestrantes de Telêmaco visitam as demais Casas.

11. A 21ª URE recebeu a Conferência Estadual Espírita no dia 14 [de março], com conferência de Alessandro Viana Vieira de Paula. Poderia nos falar a respeito, sobre as diligências, o trabalho que, com certeza, movimentou toda a equipe, e o resultado final?

Foi muito tranquilo. A princípio, o medo; medo de não atingir o público, de não conseguir. No dia observamos que ficou maravilhoso e foi tudo tranquilo. Encontrei Alessandro aqui, ontem, conversamos com ele. Concluí que foi tão fácil! Atingimos um público bom e ficamos muito satisfeitos. O resultado foi positivo, ótimo.

12.Foi uma festa de corações, não é mesmo, um presente para a região.

Falamos, no cerimonial da Conferência que dos 399 municípios do Estado do Paraná, Telêmaco sediar uma Conferência do interior era uma dádiva de Deus. Foi um grande presente que a Federação nos ofertou.

13.Agradecendo pela gentileza em nos conceder esta entrevista, deixamo-la à vontade para a sua mensagem final.

Desejamos agradecer. Agradecer, primeiro a Deus, por essa oportunidade maravilhosa de ter nos colocado as tarefas, de ter nos colocado um trabalho à frente, testando a nossa capacidade.

Agradeço a todos os trabalhadores da nossa 21ª União Regional Espírita. E uma mensagem individual, intransferível a cada um de nós: o que eu estou fazendo para a construção de um novo amanhã?

Sabemos que a responsabilidade é nossa. A responsabilidade do crescimento, do autoconhecimento, das descobertas. Como estou agindo, como estou servindo enquanto cidadão? Como cristão? Como trabalhador da causa espírita?
Sabemos que Jesus é o Farol, é a Luz, é o Guia e é o Caminho. Cabe a cada um de nós olhar para Esse Farol, nos dirigirmos a Esse Farol. Abraçar e ir ao encontro dEssa Luz maravilhosa que nos ilumina e que nos transmite a paz, a harmonia, a fé e a confiança para seguirmos adiante.

Entrevista concedida ao setor de Comunicação Social Espírita
da Federação Espírita do Paraná, na XX Conferência Estadual Espírita, no Expotrade,
em Pinhais, em 18.3.2018.
Em 25.1.2021.

Uma realização

Federação Espírita do Paraná
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