Entrevista Divaldo Pereira Franco  (2020)

1.Tendo em vista a obra Transição Planetária, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, o que determina a escolha dos casais para receber os Espíritos que estarão reencarnando, vindos de Alcíone, considerando que estes Espíritos não têm vínculos afetivos aqui no planeta? E por que a escolha recai em casais que optam pelos métodos de concepção artificial?

É para mim uma verdadeira bênção encontrar-me nesta XXII Semana Espírita promovida pela Federação Espírita do Paraná. A obra Transição Planetária é uma síntese do pensamento dos bons Espíritos a respeito do mundo de regeneração. E essas entidades de Alcíone são adrede preparadas para promoverem o desenvolvimento orgânico e moral das criaturas humanas em nossa Terra, no momento em que se transfere para mundo de regeneração. Algumas entidades [milhões delas] ofereceram-se atendendo ao apelo do emissário de Jesus para virem modelar os novos corpos. Da mesma forma que no processo antropológico o surgimento do neocórtex deu ao ser humano a possibilidade infinita de entender a beleza, a imaginação e a captação da vida transcendente, é necessário que o nosso corpo se adapte para receber as mentes das entidades evoluídas que se incorporarão – eles de uma outra onda vibratória – com alguns terrícolas. Eis porque a fecundação in vitro e não diretamente, pela falta de identidade de pensamento e de onda mental, para proporcionar a criação dos novos biótipos que irão constituir a raça do futuro. Entre aqueles Espíritos que eu tive a oportunidade de identificar e que já estão reencarnados na Terra, a forma física é absolutamente igual à nossa, mas há ligeiras diferenças entre o homo sapiens e o pitecantropos erectus. Houve um grande salto. Agora do homo sapiens sapiens para este homem virtual, da imaginação, das ondas mentais, das comunicações telepáticas. Uma modificação estrutural do cérebro e de outros órgãos para poder facilitar a vida, distante dos sofrimentos que tipificam a Humanidade terrestre. Eis porque se tem recorrido inicialmente a um processo artificial e não apenas e só fisiológico para poder proporcionar esta construção do ser homem e mulher novos para o futuro.

2.Com relação aos corpos, há uma referência de que alguns órgãos não seriam mais necessários no futuro. Nesse processo já alguns deles seriam conhecidos? Você poderia nos dizer que tipo de órgãos poderemos não mais ter no futuro?

Segundo Manoel Philomeno de Miranda o nosso trato digestivo seria aliviado. O intestino, por exemplo, seria um pouco menor. Também o estômago, porque a própria alimentação que nós iremos utilizar será menos brutal, menos artificial como essa que temos utilizado na base de hormônios. Desde as carnes variadas, que para aumentar a produção recebem altas doses de hormônios que são transferidos prejudicialmente para nosso organismo. O futuro corpo, já não tendo necessidade de uma alimentação tão densa, vem preparado para receber essa nutrição que será mais energética do que do volume de ordem material. O aparelho respiratório também seria aprimorado para poder dar maior versatilidade à criatura humana. E os sentidos habituais, os cinco sensoriais, seriam estimulados a abrir as portas do sexto sentido, para a comunicação mais psíquica do que aquela verbal, gráfica ou oral.

3.Divaldo, ouvimos falar que Francisco de Assis deverá retornar ao cenário terrestre, sobretudo em terras europeias, onde então teria uma missão semelhante àquela que desenvolveu no século XIII. O amigo poderia nos dizer se isso já se concretizou?

Os Espíritos informam que a partir de 2025 as reencarnações mais significativas se farão mais rápidas e mais numerosas. Até então, principalmente por causa da alta incidência da depressão, que atingirá o seu clímax mais ou menos na próxima década, ou na década que iniciamos, pelos anos 24 a 26, com uma grande incidência de suicídios, que eles acreditam será a primeira causa mortis face aos transtornos emocionais, depressivos e outros conjunturais dos relacionamentos humanos. Então, [penso eu] que a partir dos anos trinta, Espíritos do porte de Francisco estarão reencarnando-se para, naturalmente, por volta de 45 fazerem-se identificar como os grandes gênios da nova era.

4. A História registra que, mesmo antes da desencarnação de Francisco de Assis, as normas que ele elegera para a Ordem Franciscana estavam sendo deturpadas, alterando-se-lhe o sentido, o valor. Em se falando do oásis de trabalho e bênçãos que você e o tio Nilson ergueram na cidade de Salvador, a Mansão do Caminho, você teme que, após a sua desencarnação, algo semelhante venha a acontecer?

Para ser honesto, e sem ter a presunção de que faremos falta, naturalmente sofrerá ligeira modificação. Porque cada indivíduo que vem administrar irá transmitir a sua forma de pensar. Tem sido a nossa preocupação. Fazendo uma paráfrase à vida de Francisco, criar na Mansão do Caminho o que chamamos sutilmente de uma nova Úmbria. A nossa experiência de convivência coletiva tem sido exitosa para os padrões da época de hoje. Mas, ao mesmo tempo, não temos logrado aquele desejo da compreensão primacial do Evangelho. E as outras secundárias. Embora sejam todas pessoas excelentes, devotadas, portadoras de uma grande predisposição para o bem, os vínculos com os interesses terrestres ainda predominam em a nossa natureza e nós, eu em pessoa, penso muito que desencarnarei sem ver concretizada essa maneira de ser a Mansão, o modelo mínimo do que poderá ser a nova sociedade. O nosso objetivo essencial, em nossa instituição, é nunca negar. Dizemos em tom de brincadeira: é necessário não dizer que nós não podemos ajudar. Sempre podemos ajudar. E quando não tivermos o que a pessoa solicita, daremos o que nós possuímos. Abordaremos a questão do Evangelho, transmitiremos energias através de passes, levaremos as atividades espirituais e contribuiremos com os recursos materiais que para nós são importantes, porém, nessa faixa, parte secundária. Temos conseguido algo, porque necessitamos hoje de funcionários para levar adiante a obra. E como eles não têm o espírito da obra em si mesmo temos algumas dificuldades em fazê-los entender que a nossa instituição é uma empresa. Muito tempo eu lutei para tirar a palavra empresa, mas fui vencido pela comunidade. Então eu passei a usar, sutilmente, “a empresa de Jesus” e Joanna escreveu uma mensagem a respeito do que é a “empresa de Jesus”, do que são os métodos da “empresa de Jesus”. Ela então me disse que Jesus é um grande empresário, o maior que se conhece, porque é o presidente da “empresa de Amor”, instalada na Terra. E que aqueles que são servidores abnegados são, portanto, credores de maior entendimento. Os outros ainda estão na fase de permutar. São servidores, mas têm as suas necessidades que devem ser remuneradas. Mas que chegaremos ao momento que essa “empresa de Jesus” será totalmente diversa. De uma maneira feliz, no ano que passou, nós iniciamos através de amigos experientes, conhecedores de tecnologia, uma mudança radical: desde a administração ao comportamento para que nos próximos dez anos tenhamos um esquema que possa proporcionar a segurança das bases, mesmo que faltem os corpos meu, de outros companheiros que estamos encarnados, aqueles que forem participar de alguma forma terão que assimilar através dos impositivos estatutários. E depois de dez anos então, a nova mentalidade construirá a entidade de amor para poder servir talvez de modelo a outros menos experientes.

5.Divaldo, todos nós nos extasiamos ante alguns relatos das suas produções mediúnicas como, por exemplo, a Conferência em Coatepec e as curas ali ocorridas. Poderíamos falar dessa experiência? Algo semelhante se reproduziu em outras localidades?

Sim. Vem se reproduzindo de uma forma sutil e discreta para não chamar atenção. Nós vamos muito ao interior da Bahia, uma vez por ano, desde 1970. É uma região muito difícil de acesso. Só há pouco tempo chegou a tecnologia, chegaram estradas, porque ela fica entre a cidade do Salvador e Brasília, e com a construção da estrada Salvador-Brasília, recebeu alguns benefícios.

Naquela região, certo dia, antes de uma palestra, vimos uma senhora paralítica que era cliente do nosso anfitrião, [foi acidentada e arrebentou os ossos da bacia] e estava recebendo terapia dele próprio, do doutor Epaminondas Correia e Silva. Ela havia sido levada com duas muletas de madeira e me disse chorando: “Ah, Sr. Divaldo! Peça a Jesus para me curar. O senhor me ajude! Eu disse: Minha filha, eu sou apenas um expositor. Não tenho faculdade curativa, não tenho outras percepções.” Então eu vi o Espírito Joanna de Ângelis que disse que quando fosse a hora da prece final, que ela se vinculasse, mentalmente, porque Joanna iria pedir aos benfeitores para ajudá-la. Eu proferi a palestra e esqueci. Mas quando cheguei na hora da oração da gratidão, sempre variada, eu recordei-me e olhei para ela. Ela estava dobrada, em profunda concentração. Eu fui continuando a oração, quando cheguei na parte que agradecia a bênção das pernas para poder andar, ante aqueles que são paralíticos, ela derrubou as muletas, levantou com muita serenidade, oscilou um pouco, fez a volta e saiu. Eu fiquei surpreso. Mas as pessoas que a conhecem notaram também. Terminada a reunião, o esposo veio com ela, que disse: “Divaldo, fiquei boa. Absolutamente boa. Eu não andava, mesmo com a ajuda das muletas. E as muletas foram deixadas aí.” Então eu disse: “Pois é, veja como Deus é misericordioso!” E fiquei impressionado. O doutor Epaminondas levou-a no dia seguinte ao hospital para fazer radiografias. E fez uma série para comparar com aquelas que ele tem no prontuário. Todos os ossos antes em processo de reconstrução, estavam corrigidos com alguns calos. Como se eles fossem unidos e tivessem imperfeição.

Então um amigo nosso, Washington Fernandes, ele tem sido gentil, escreve a meu respeito, é um advogado brilhante do Estado de São Paulo, resolveu ir, fazer a pesquisa e documentar. E constatou que realmente houve uma mudança muito grande nos processos de recuperação dos ossos. E, a partir daí todos quantos me pedem: “Ah, estou doente…” digo: “Na hora da prece, os Guias vão lhe ajudar.” Tem ocorrido algumas curas que nós silenciamos. E deixamos que aconteça pelo merecimento do próprio paciente. E eu tenho muita preocupação com isto, para não cair no lado mágico, místico e fanático e deixar a parte doutrinária em segundo plano.

6.Divaldo, e você? Nós sabemos das suas dores, que lhe têm acometido nestes últimos tempos. E, há sempre uma curiosidade. Durante as atividades, estas dores permanecem, desaparecem… como estão?

É algo que a mim surpreende. Se eu pudesse, ficaria o tempo inteiro nas atitudes espíritas, porque todas as dores e sensações de mal-estar desaparecem por milagre. Eu mesmo fico suspeitando, meu Deus, será que isso é uma fixação neurótica, é um transtorno de autossugestão? Porque tem vezes que eu estou tão mal – pela manhã, principalmente – sem poder levantar-me, que eu me atiro ao chão para pegar o remédio a dois passos. E quando alguém vai me visitar, sempre é o meu filho Otaviano, eu peço para ele me ajudar a levantar, porque eu não tenho forças. E as dores são muito grandes. Mas o curios, é que nessas ações espirituais algo ocorre e o meu organismo muda. Faz anos eu tive um infarto do miocárdio. E uma morte aparente, uma quase morte. E fiquei com uma deficiência cardíaca. Ainda não se faziam transplantes. Estavam fazendo as primeiras experiências na África do Sul. Mais tarde, bem mais tarde, digamos que há quatro anos, eu tive necessidade de fazer uma pequena cirurgia. E amigos me levaram a um hospital de renome no Brasil, que é uma referência internacional. Apresentaram-me ao seu cardiologista, que é um homem de representação internacional. Ele me submeteu a todos os exames, eu estava com muita taquicardia. Depois, quando ele fez os estudos, eu digo, algo aconteceu com as artérias cardíacas, porque a razão do meu infarto, da minha parada cardíaca é que eu tinha uma artéria 95% problematizada, a outra com 75% e a terceira com 60%. Naquela época o cardiologista disse: “É impossível o estado dele”, eu não sentia nada. Mas então agora o médico disse: “Notei uma coisa estranha, eu já atendi a muito mais de 5.000 pacientes, e o seu organismo fez algo que é a primeira vez que eu vejo.” Eu digo, “Doutor, não estou entendendo.” Ele disse: “A irrigação do coração continua perfeita. Porque uma veia fez uma curva para nutrir o coração e você está tendo nesta veia o que seria a artéria que produz a sua sensação. Porque a artéria continua bloqueada. No entanto, da forma cardiológica, você está muito bem.” Aos 88 anos na época.

Quando completei 90 anos, porque qualquer atividade médica que eu vou a este hospital, sou submetido logo a um eletrocardiograma, por causa da idade, por causa do bloqueio das artérias, me examina e diz: “Olha, você tem um coração excelente para uma vida longa.” E um dia ele me perguntou: “Como você explicaria isto?” Tratando-se de um homem materialista – eu pensava, – então eu expliquei que os bons Espíritos me levantaram do leito, estava desenganado, tinha no máximo quarenta dias de vida, e lentamente eu me recuperei tomando apenas vasodilatador – Isordil. E ele disse: “Mas isso somente é um paliativo, dilata a artéria para passar o sangue, mas não resolve o problema.” Então eu expliquei que eu acho que os Espíritos devem ter feito alguma coisa para poder me proporcionar a oportunidade de continuar trabalhando. E curiosamente eu não tive mais nada no coração, exceto taquicardia.

Eu não sou uma pessoa impressionada, a própria vida me ensinou a ser cauteloso. No fim do ano passado, mais ou menos em outubro, eu tive muitas emoções, muitas preocupações, como é natural. Algumas dificuldades, alguns desafios e a taquicardia voltou.

Não tenho, organicamente, nenhuma doença, exceto as hérnias de disco que eu fiz o quarto bloqueio. O médico me disse: “Agora já não deve fazer, porque a alta carga de cortisona no organismo lhe fará mal.” Então eu acredito que quando estamos honesta, sinceramente a serviço de Jesus, no meu caso por meio da doutrina espírita, não nos faltam recursos. E toda hora digo aos meus amigos: “Busca primeiro o reino de Deus e sua justiça e tudo mais é acrescentado.”

7.Então, é assim que chegou aos 92 anos, certamente com alguma moratória que vai ficando, à medida que a gente vai avançando…

É curioso que eu estou na idade de risco, e tenho pensado muito, porque a fragilidade de um idoso, a fragilidade orgânica, qualquer vírus, qualquer bactéria pode interromper-lhe a vida. Mas eu gostaria de registrar e dizer aos amigos que, se por acaso, eu contrair o vírus, não é por causa da pandemia. É que o meu ciclo de vida está terminando. E o vírus é apenas o instrumento de encerrar o ciclo que de qualquer forma terminaria. Não fora o vírus, seria uma outra coisa qualquer: um derrame cerebral, uma paralisia, um choque, uma gripe; qualquer coisa orgânica, sem ser o que se costuma dizer: “É um castigo!” Não, essas são ocorrências naturais do processo evolutivo que não me causam a mínima preocupação. Até quando os médicos disseram: “Olha Divaldo, você está na fase de risco” eu digo: “Olha meu amigo, eu já tive tanto, que não é um risco que vai me desenganar.” É uma bênção de Deus. Porque uma coisa que eu gostaria depois da minha desencarnação era que os amigos, ao contemplar essa existência larga anotassem uma coisa: “O Divaldo tentou ser fiel até o fim. Não conseguiu, mas uma qualidade merece análise: foi perseverante.”

Sou perseverante na doutrina dos Espíritos e nada, nada no mundo se equivale a este mundo interior que me proporciona passar de uma vibração para outra, do estado físico para o espiritual quase que naturalmente. Porque a mediunidade é algo muito mais complexo do que se pode pensar. Até hoje eu me estudo, eu me examino, procuro ver a minha razão, as interferências. Só para ilustrar, com todos esses incidentes que os adversários do bem tentaram criar para impedir a realização da Conferência, desde anteontem à noite em Ponta Grossa, eu vi chegar um grupo de Espíritos e, a partir dali, após a palestra em Ponta Grossa, os mentores me advertiram que eu me mantivesse muito sereno. Porque eles haviam trazido aqueles Espíritos para estarem comigo e tentarem me perturbar, para criarem um problema, ou algo desagradável durante a realização das atividades. Eu posso confessar que me sentia parte encarnado, parte desencarnado.

Quando entrei no seu automóvel para voltarmos de Ponta Grossa eu não estava no meu estado normal de lucidez. Estava semi-mediunizado. E, para disfarçar, eu fui olhando o telefone, mas não estava vendo o telefone, era somente para você não notar, para nossa querida menina não se preocupar etc. A noite foi tormentosa e o dia de ontem foi indescritível pelos ataques dessas entidades. Foi, digamos assim, o dia mais difícil deste ano para mim porque um dos chefes desse grupo anti-espírita, que vem influenciando muitas pessoas contra Jesus, porque o objetivo é apagar Jesus da História, apagar o nome de Jesus da História, ridicularizando-O, atormentando-nos, fazendo que aqueles que pretendem ser fiéis entrem em conflitos e dúvidas, sintam-se atraídos para o que antes era normal: uma atração física, um deslize, mas agora com uma sede de determinados comportamentos; e ontem, a esta hora, nós tivemos necessidade [eu] de apoio especial. Então o Juan [Danilo Rodríguez Mantilla] e Laudelino [Risso] vieram para o quarto, porque eu estava absolutamente fora da realidade. Eu disse para eles: “Lamento, porque estou semelhante a um médium obsidiado, a um médium de princípios, porque eu estou fazendo um espetáculo, peço desculpas a vocês, mas não estou normal. E isso vai prejudicar a palestra.” No íntimo, um impulso para viajar, para ir embora. Criara-se uma situação desagradável. Então Juan sugeriu lermos o Evangelho, aplicamos um passe, eu vendo-os [os Espíritos], eles me dizendo coisas que eu não me atrevo a repetir. Aturdindo o cérebro e também o meu caráter, porque todos nós temos caráter, dizendo coisas perversas, que eu poderia continuar na mente. Eles aplicaram o passe e eu roguei a proteção de Jesus. Eu disse: “O Senhor sabe que eu O amo, então, em benefício dos que irão à palestra, o Seu Amor me ajude.” E eu vi quando entraram as entidades venerandas. Eu vi uma entidade, que é protetora da Federação Espírita do Paraná, mas que não é conhecida. É uma espécie de “hors concours”, um Espírito nobre, refulgente. Quando ele entrou assim pela parede, um esplendor encheu o quarto. Ele me pôs a mão no coração, depois aqui no centro cerebral e me disse: “Vamos com Cristo. O cristão verdadeiro tem que ter o holocausto. Vamos para o holocausto. Nós vamos incorporá-lo, utilizá-lo para aparelhagem, mas os seus conceitos, não os coloque para não nos atrapalhar. Faça as suas narrações, mas nós vamos encaminhá-lo.” E então eles vieram. E este Espírito veio realmente comigo. Mas eu não via sempre o Espírito. Eu via o foco. Eu caminhava, paralelamente o foco também. Mas eu não disse. Eu não gosto de ficar falando sobre mediunidade, para não parecer exibicionismo. Aprendi a calar.

E na hora em que você começou a falar [abertura da Conferência], ele se acercou e lhe deu uma assistência especial, para poder dulcificar o coração e apaziguar o seu organismo. É como se o organismo estivesse um pouco trêmulo, desajustado. E na hora que você falou sobre o coronavírus, eu vi perfeitamente quando ele encaixou a cabeça dele na sua cabeça. E aquilo saiu tão claro como se você fosse médico. Era como se você estivesse explicando o bê-á-bá: simples, e com muita energia. E no momento, que foi um momento sublime, o coral criou esse clima através de uma apresentação de altíssimo significado musical. Porque foram músicas especiais, difíceis, coroadas pelo Pai Nosso que atraiu muitos africanos indígenas. Então, as pessoas moviam o corpo no ritmo, mas os Espíritos bailavam ao ritmo do Pai Nosso. Então eu me senti perfeitamente normal, toda minha estrutura era como se tivesse uns 20 anos, eu estava com muito catarro, que eu tenho essa problemática há 60 anos, e então o Espírito começou a me delinear a palestra. E disse: “A paz tem que ser o amor no seu estado de santificação” e veio num crescendo. E as últimas palavras, eu ainda me lembro quando ele disse: “Somente o amor…” aí eu fui incorporado. Até a parte final, quando ia terminando, ele me cedeu lugar para a prece.
O que quero dizer: é que estamos em guerra com o mundo espiritual. Guerra esta, desde abril, dia 4 de abril de 2004, quando muçulmanos e judeus perseguidos declararam acabar com a figura de Jesus na Terra. E naturalmente atacaram a nós espíritas, e eu perguntei: “Por que nós, os espíritas?” E o rabino me disse: “Porque são os cristãos.” E eu disse: “Não. Mas o Cristianismo tem 2.000 anos.” Eu disse: “Não senhor. O Cristianismo real vai até mais ou menos o edito de Milão, 313, e aí surge, eu peço licença, sem querer diminuir outra doutrina. Surgiu uma doutrina em nome do Cristianismo, porém romana. Observe que igreja católica, universal, apostólica de Pedro e Paulo romana. É a igreja de tal e tal cristã. Era uma igreja de Roma. Uma espécie de paganismo monoteísta. E com o advento do Espiritismo renasce Jesus. E os senhores são cristãos.” E o Espírito me disse ainda assim: “Quando o Senhor Allan Kardec falou que a mediunidade deveria ser exercida cristãmente, ele rotulou o Espiritismo de cristão. Porque ele poderia dizer moralmente, no sentido ético, mas ele usou a única palavra que poderia definir o exercício da mediunidade. Então nós temos que combater. Porque foi esta igreja de Roma que nos destruiu. Graças a eles nós nos voltamos contra Ele através dos senhores, que são os herdeiros dEle. Embora vamos atingir todos os povos e nações.” E observe que de 2004 para cá o desrespeito moral, social, se tornou cada vez mais vulgar. E os partidos políticos, religiosos, convidando à degradação dos costumes e a perda do sentido ético, multiplicaram-se. Porque eles estão sob a mentalização dessas entidades. E nós temos sofrido um pouco mais, porque somos criaturas humanas e eles se voltam contra o Cristianismo nas páginas do Espiritismo.

8.Divaldo, se me permite, eu penso que como você faz muita luz, inspira todos nós, traz enfim, tantas informações seguras, esses ataques que o atingem é porque mira-se sempre o foco mais radiante, que é você no presente momento, no nosso Movimento Espírita.

Eu lhe digo com a lealdade de um velho amigo: a minha vida é o Espiritismo. E o pensamento do Cristo como respaldo me leva ao delírio. Esse Homem Incomparável que nos deu a grandeza e a majestade da Terra, merece-nos tudo. E eu acredito que os bons Espíritos estão procurando médiuns, pessoas corajosas, no bom sentido da palavra. Que não se importem, eu não me importo com a perseguição deles. E até fico contente. Porque eles me privaram das chamadas satisfações humanas. Eu aprendi a não me incomodar com nada.

Venho a Curitiba desde 1954. Sempre ouvi falar na Boca da censura, não fui; na Ópera de Arame, nunca fui; no Jardim Botânico, nunca fui; não saio do hotel. E só vou a restaurante por causa do programa que a Federação faz. Para não me deixar sintonizar com estes. Eu não venho a turismo, eu venho a serviço. E para, não digo merecer, mas para ficar mais ou menos em condições eu procuro ficar sintonizado o tempo todo. Para poder servir à Causa e não me aproveitar da Causa para me servir. E é assim em toda parte. Na Europa só me permito ir à museu. Porque eu lucro com a aprendizagem. E duas vezes em Viena, Yosef me conduziu a dois concertos. Nada mais me interessa.

E acho que, também, na hora que outros médiuns compreenderem que se é médium vinte e quatro horas e não na hora da sessão, lhes acontecerá a mesma coisa. Não é nenhum privilégio, é porque de qualquer forma eu chamo atenção bem e mal. Porque eu tenho os que me querem e aqueles que não me querem, que são meus irmãos. Então eles me agridem mais porque alguma ocorrência em mim reflete negativamente em nome da doutrina e por fim, do Cristo. Eles [os Espíritos] me dizem: “Não é a ti, tu não vales nada. Nós estamos vendo Ele em ti.” “É um crime o que fazem comigo, porque eu sou empregado, sou servidor, vão ao Patrão, e o que o Patrão mandar eu faço.” “Não, ao Patrão não podemos, mas contigo podemos.” Aí eu me conformo. Conto isso no sentido de estimular outros companheiros, aqueles que estão mais cansados, que são, às vezes, vítimas de circunstâncias muito desagradáveis, não duvidemos. Que atrás, à semelhança de marionetes, há mãos invisíveis criando situações boas e perniciosas.

9.Divaldo, obrigado, mas não podemos deixar de falar desse ano de 2019, que passou há pouco, foi um ano especial. Nós estamos todos na expectativa, parece que o filme inicialmente produzido pela Sony Pictures foi adquirido pela Disney, alguma coisa assim aconteceu, então estamos todos na expectativa de quando o filme chegará aos modernos meios de divulgação para podermos revê-lo. Mas vimos no filme uma bela homenagem, vimos a sua participação. Como você se sentiu, você teve ali uma participação em algum momento, como foi essa experiência do filme sobre a sua vida?

Eu confesso que tive vergonha. Vergonha de me ver no lugar que outros merecem. Esse filme eu venho impedindo há dez anos. Começou com uma moça de Natal desejando fazer um filme sobre Joanna e sua obra literária no confronto com Juana Inés de la Cruz. E eu a impedi, que deixasse eu desencarnar etc. A coisa foi evoluindo até que o pessoal de Fortaleza, que tem lá um trabalho muito bom de cinematografia, se envolveu. E então uma pessoa da Ypê [empresa], a quem eu tenho altíssima consideração se envolveu também em contribuir financeiramente para que o filme fosse feito. Então eu disse: “Concordo com uma condição: rever a pauta, ler para que não tenha nenhuma coisa que eu não possa aprovar. Tudo que estiver aí eu tenho que mostrar testemunhas. Para honrar o nome do Espiritismo. Que não me faça nenhum elogio. Que o filme não seja eu. Seja uma mensagem que qualquer um de nós pode fazer qualquer coisa em favor do bem.”

E então nós revisamos quatro vezes. Mudamos os nomes. O fato é verdadeiro e os nomes foram alterados. Até que eu pedi a Waldir Júnior da Ypê. Ele é presidente da entidade, também é um homem de altos negócios em São Paulo para que ele verificasse, já que me quer bem, de uma forma neutra em que eu quase não aparecesse, aparecesse a proposta espírita, confortando as pessoas, encorajando. Ele me disse: “Pode ficar tranquilo.” E aí eu permiti que fizessem.

Conheci o Clóvis. Esse homem, que era o diretor, era materialista. Depois que ele leu o filme, que viu o roteiro, ele leu O Livro dos Espíritos, sentiu uma onda mística que o levou a Assis. Ficou em Assis uma semana. Meditando, convertendo-se. Sentindo a vida imortal. E então mudou de paisagem.

Ao contratar o elenco, constava uma cláusula que todo elenco lesse O Livro dos Espíritos. O elenco leu o Livro dos Espíritos. E lesse a biografia que Ana Landi havia escrito, com a minha autorização, onde estavam os fatos que eles apresentaram conforme o cinema permite. Mas no dia da “avant première” em Salvador eu me senti tão constrangido. Mas eu senti como não sendo homenagem, mas um testemunho. Primeiro, por causa da maledicência. Eu não receio, mas quero poupar os outros, que eu estava tentando competir com Chico Xavier, como alguns amigos escrevem.

Eu digo: “meu Deus!” Eu fiquei muito feliz que agora saiu o Arigó [filme], generalizou. Depois porque sei que tudo tem um preço. E a minha vida é muito curiosa. Eu tenho uma alegria imensa, quando estou no auge da alegria, me acontece algo para voltar ao normal. Os meus conflitos, as minhas necessidades emocionais, a minha solidão. Então acontece de eu sempre estar vai e volta.

Mas a mensagem do filme, depois eu fui assistir como crítico. Não tem uma cena que não tenha realmente acontecido. Eles foram muito felizes e o personagem Joanna foi a própria Joanna [Espírito] quem escolheu, porque eu nunca assisti uma novela. Nunca assisti um capítulo.

Mandaram várias fotografias para eu ver quem pareceria mais com Joanna. Quando ela começou, eu folheando as fotos, Joanna disse: “Eu gostaria muito que essa senhora me representasse.” Então eu disse: “Olha, essa senhora, a Joanna acha que está muito bem para o papel dela.” E depois, uma outra foto, Joanna disse: “Vamos colocar Ana” – minha mãe – “esta moça tem o caráter parecido com o de Ana.” Então aquela senhora fez o papel de minha mãe, foi apontado por Joanna.

No mais eu não me envolvi, ele [o diretor] me convidou para fazer uma cena, eu fui fazer a cena, que foi posta no filme. Ali está o resumo, mas tem muito mais coisa. E aí eu assisti o filme, fiquei meio constrangido, mas superei. Como se fosse de outra pessoa. Eu fui também para a “avant première” em São Paulo e o governador do Estado foi. Aliás, me surpreendeu, foi ele e a senhora, sem guarda, sem nada, bem simples, foram ao restaurante, foram ao cinema, fiquei surpreso. E no íntimo eu gostei porque muita gente me disse: “Comovi-me até às lagrimas” – mais de mil pessoas me disseram isso – “gostei tanto do filme, me falou ao coração.” Era o que eu desejava. A mensagem. Que eu fosse apenas como um dia um obsessor me disse: “doença trompete”, se não tiver quem sopre não vale nada. Então o trompete foi soprado para confortar as almas. É quase uma confissão que estou fazendo, não é uma entrevista. Pelo amor que eu tenho à Federação Espírita do Paraná e a você.

10. Querido Divaldo, nós queríamos lhe agradecer. Pudéramos ficar aqui mais tempo! Mas você tem compromisso, logo mais a Conferência, então queremos registrar a nossa gratidão em nome do Departamento de Comunicação Social Espírita da Federação Espírita do Paraná por esta oportunidade de estar aqui conosco. Desejamos que você tenha ainda longa vida, aliás, você terá longa vida, aprendemos isso. Aqui ou do lado de lá você estará sempre conosco.

Eu agradeço muito Adriano. Tenho um carinho muito especial pela Federação Espírita do Paraná. Desde o primeiro dia. Quando conheci o Paraná, entrei num mundo diferente. Primeiro o mundo físico, depois culturalmente, as pessoas que eu conheci e convivi todas muito inteligentes, lúcidas. E depois, sem demérito para qualquer instituição, a seriedade da Federação, o seu amor à Causa, a doutrina conforme nós recebemos de Allan Kardec e dos seus continuadores. O respeito, porque os bons Espíritos nos falam a respeito da Federação – me falam sobre todas – com muito amor, mas eu quero particularizar pessoalmente.

Tenho um carinho muito grande. E agora, assim no declínio, ao falar com você que eu considero um filho, um rapaz que dedicou sua vida a esta obra, eu agradeço. E depois da minha desencarnação, que você seja uma das testemunhas, o mérito ou demérito do Di é que ele era persistente e lutador. Nada me afasta do amor do Cristo. E dos meus amigos, aqueles que eu amo, são muitos, é uma família imensa, à qual eu sou devedor. Desses amigos de Porto Alegre, Novo Hamburgo, e de outras cidades do sul que fazem um sacrifício de milhares de quilômetros para divulgar a mensagem. De alguma forma também por amor a mim, eu compreendo, essas moças, viajam dois dias e noites. E fico feliz porque eles estão sendo cristãos primitivos, fazendo o novo mundo que o Cristo espera de nós.

Entrevista concedida ao setor de Comunicação Social Espírita
da Federação Espírita do Paraná, na XXII Conferência Estadual Espírita,
no Expotrade, em Pinhais, em 14.3.021, tendo como entrevistador o
presidente da Federativa, Adriano Lino Greca.
Em 1º.2.2021.

Uma realização

Federação Espírita do Paraná
0